Cheirar bem é fundamental – pelo menos para as borboletas

cientistas pintaram as antenas das fêmeas com esmalte de unha em uma fase do experimento

Cientistas pintaram as antenas das fêmeas com esmalte de unha durante experimento

Pesquisadores da Universidade de Cambridge divulgaram hoje um estudo mostrando que borboletas fêmea identificam machos nascidos de reprodução consanguínea (entre irmãos, por exemplo) por meio do cheiro, e tendem a despreza-los como parceiros sexuais. A pesquisa, originalmente intitulada ‘The scent of inbreeding: male sex pheromones betray 1 inbred males’ (ou ‘O cheiro do parentesco: feromônios masculinos traem machos de consanguinidade 1) será publicada hoje na revista inglesa Proceedings of the Royal Society B.

O sucesso reprodutivo dos machos costuma ser mais baixo se eles são fruto de reprodução consanguínea. Se animais (e humanos) reproduzem com um indivíduo com o qual possuem parentesco, a prole tem mais chances de mostrar alterações genéticas. Por causa dessas disfunções, os machos são muitas vezes mais fracos e podem ser menos hábeis ao defender o ninho ou alimentar os filhotes. Para garantir que os filhos tenham maior chance de sobrevivência, as fêmeas evitam reproduzir com esses machos. Para que isso aconteça,  elas devem saber reconhecer quem são os machos inaptos.

Erik van Bergen, cientista responsável por parte da pesquisa, disse que “curiosamente, características usadas pelos machos para atrair o sexo oposto são muito afetadas pela consanguinidade e podem ser usadas pelas fêmeas para reconhecer esses indivíduos. Por exemplo, machos consanguíneos de mandarim produzem um número mais baixo de cantos individuais diferentes e machos consanguíneos de barrigudinho tem um padrão de cor menos notável. Ainda, em uma espécie de grilo, os machos consanguíneos produzem menos sinais acústicos enquanto tentam atrair fêmeas.”

Macho de mandarim

Macho de mandarim

Para a espécie de borboleta Bicyclus anynana, evitar a reprodução com este tipo de macho é fundamental já que 1 em cada 2 machos é completamente estéril. Como resultado, se a fêmea reproduzir com estes machos nenhum ovo irá chocar e ela não terá nenhum filhote.

No estudo, os pesquisadores expuseram fêmeas a dois tipos de macho, os normais e os resultantes da reprodução entre irmãos. As fêmeas desprezaram os machos consanguíneos, mas quando estas mesmas fêmeas tiveram suas antenas cobertas por esmalte de unha, impedindo que usassem o olfato e assim detectassem a quantidade de feromônios produzida pelos machos, não houve diferença entre a escolha de parceiro. Os resultados indicam que a produção mais baixa de feromônios pelos machos consanguíneos, e não a saúde geral deles, é a razão para o fracasso com as fêmeas.

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